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Ponto de vista > Entrevistas
Do Big Ben ao Elevador Lacerda
Texto Matheus Steinmeier (estagiário) | Adaptação Renacha Batista | Fotos Sidney Doll | Edição de vídeo Jonathan Marinho (estagiário)
Criado pela inglesa Emma Phelps e pelo brasileiro Maurício Varlotta, o estúdio londrino 20age (www.20age.com) revitaliza cadeiras e poltronas britânicas tradicionais com estilos e tecidos variados, batizando-as com nomes de cidades e estados do mundo todo. A dupla está no Brasil e visitou a Redação da revista Casa & Decoração para uma conversa sobre os trabalhos deles e os próximos projetos. Acompanhe a entrevista em vídeo ou leia o resumo em texto logo abaixo!



VídeoCast
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Casa & Decoração: Como vocês se conheceram e por que decidiram vir ao Brasil?

Emma Phelps: Nos conhecemos no set do filme Jean Charles. Eu era figurinista e Maurício interpretou ele mesmo, já que foi patrão do protagonista na vida real. Começamos a conversar sobre nossas afinidades, mobiliário e o que gostaríamos de fazer. Participamos do London Design Festival, no qual apresentamos a Bahia Chair. Ela foi vendida muito rapidamente e foi um sucesso incrível. Agora, queremos fazer uma nova versão dela, tentando cores e formatos diferentes.
Maurício Varlotta: Procurei meu nome no Google para ver os resultados e, mesmo tendo participado do filme sobre Jean Charles, toda a primeira página estava tomada por notícias da Bahia Chair. Encontrei uma história mais interessante do que a outra, inclusive coisas que eu nunca havia dito!

C&D: Onde vocês garimpam as peças que são a base para o trabalho da 20age?
EP: Nós procuramos cadeiras e poltronas vintage ou do meio do século passado, dos anos 1960 aos 1970. Muitas delas, encontramos no Ebay.
MV: Nós viajamos pela Inglaterra para achar essas peças, algumas vezes, com sucesso, e outras, não, mas há histórias pessoais no meio disso. A Bahia Chair, por exemplo, esteve na família de Emma por anos – foi do pai dela. Quando deu a ela, ele disse: “Faça algo maravilhoso com essa cadeira”. Foi um trabalho de amor que levou bastante tempo, mas compensou. 

C&D: E, no Brasil, vocês conseguem encontrar essas opções?
MV: Bem, estamos ainda no comecinho, mas não acredito que conseguiremos por causa do tipo de móvel que usamos. Gostamos de trabalhar com mobiliário em estilo Parker Knoll, tradicionais na Inglaterra. É por isso que estamos trazendo essas peças de lá para produzi-las aqui.
EP: Basicamente, escolhemos móveis com belas formas e linhas e os recriamos.
MV: Neste momento, em especial, estamos tentando usar o máximo de matéria-prima inglesa, como as peças e os tecidos, já que, ao aproveitar móveis brasileiros como base aqui, estaríamos sendo “só mais um”. Tentamos nos diferenciar, introduzindo uma cultura diferente, pois acreditamos que o País está pronto para isso.

C&D: Por que dar nomes de lugares a suas criações, como New York, Monaco...?
EP: Nós pensamos, primeiro, em batizá-las com números, mas isso soou um tanto quanto chato. Tive a impressão de que, assim, elas não seriam facilmente lembradas por todos.
MV: Queríamos um nome que pudesse ser traduzido e tivesse o mesmo significado em diversas línguas. Então, decidimos por nomes de cidades ou estados.
EP: É uma coisa mais unissex. Talvez, se usássemos nomes femininos, elas acabariam menos atrativas para os homens.

C&D: Todos os móveis foram inspirados na cultura dessas localidades?
EP: Não. O nome, na verdade, é uma espécie de roupagem. Nós não pegamos uma cidade e fazemos uma cadeira. Pelo contrário, pegamos a cadeira pronta e procuramos uma cidade que se encaixe e que a represente bem.

C&D: Vocês acham que o trabalho como designers se aproxima da criação artística?
EP: Não consigo pensar nesses objetos como peças comuns de mobiliário. O resultado não é algo que possa ser considerado do dia a dia. A Bahia Chair não conviveria muito bem com gatos por causa das fitinhas. É uma cadeira que parece um carnaval, na qual as pessoas, a princípio, não têm vontade de sentar para apreciá-la, mas, antes, dar a volta nela.
MV: Nossos clientes não compram um móvel para uso diário. Você está adquirindo uma coisa bela e vai querer preservá-la o máximo que puder. Claro que não posso dizer que é proibido sentar na Bahia Chair, mas, obviamente, você não vai querer comer chocolate em cima dela.

C&D: Existem conflitos entre vocês quando trabalham juntos?
MV: Emma é muito sentimental com o que faz, e nós brigamos bastante por causa disso! [risos] Eu gosto de praticidade e quero ver as coisas prontas imediatamente; e Emma fica fazendo tudo com esmero. Eu tento ser rápido e arrumar um jeito de adiantar o trabalho mecanicamente, enquanto ela me diz que devemos cortar, medir e preparar tudo com calma.
EP: Mas o resultado dessas diferenças é bom e está dando certo.

C&D: Quais são os seus próximos passos?
EP: Eu quero fazer uma coleção de quatro ou cinco cadeiras no estilo Bahia, mas com formatos diferentes.
MV: Sinto que precisamos fazer algo rápido, porque, depois, a coisa vai ficar bagunçada. Não vai demorar muito para todo mundo começar a fazer cadeiras com as fitas por aí.
EP: Mas eles não terão o nosso estilo inglês!


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Dielle Melo, São Luís - Maranhão, via Twitter
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