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17/10/2010
O que é conforto para você?
Por Emy Kuramoto | Foto Divulgação
 



Emy Kuramoto pilota o Tofu Studio (www.tofustudio.com.br), um ateliê autêntico de design independente e um blog charmosíssimo sobre a vida doméstica

A sensação de colocar os pés em um cômodo vazio, logo após a chegada do caminhão de mudança, pode ser de pânico, algo como encarar o papel em branco em um momento de crise criativa. Quando se trata da primeira casa, essa impressão é ainda mais consternante. Passei pela experiência há três anos e me vi na clássica situação da “recém-casada-sem-mobília-com-orçamento-curto”, mas que lutava pelo direito irrestrito de ter um lar belo, funcional e confortável.

A grande sacada para começar um projeto talvez seja repensar o que é conforto, e o primeiro item a observar é que esse conceito é subjetivo e cada um tem o seu. Se a grana é curta, não adianta querer dar cara de mansão de novela ao seu lar – pode ser frustrante. Aliás, orçamento magro é um dos maiores estimuladores da criatividade. Uma boa maneira de ajustar expectativas à realidade é procurar decorar o lar com afeto, transformar o processo todo numa jornada única e pessoal.

Pode ser surpreendente descobrir tesourinhos que mães e avós costumam guardar em casa, por exemplo. Imagine encontrar aquele porta-retratos antigo, rebuscado, que vai emoldurar lindamente as recordações de sua nova vida! Se os móveis de família estiverem desgastados demais, tente investir numa boa reforma ou, então, procure vendas de garagem. Você vai ter peças de qualidade, economizar e reaproveitar algo que poderia ir para o lixo – faz bem para você e para o mundo.

Vale lembrar que hoje a decoração está muito mais democrática: o barato se mistura com o caro com muita fluência, os móveis não precisam ser tão “combinadinhos”, pode-se dar um novo e inusitado uso aos objetos com liberdade, e nem o kitsch é uma sentença terminante da cafonice. Tem coisa mais original que uma mesa com cadeiras de vários estilos, mas que funcionam juntas? E transformar aquela jarrinha de ágata lascada em um vasinho singelo? São atitudes nobres, baratas e ao alcance de todos.

A experiência de decorar minha primeira casinha me deu uma sensibilidade estética mais apurada e novas paixões: a de garimpar e de curtir a busca, e não só o resultado. Também me ensinou a ter mais paciência e, principalmente, a viver apenas com o necessário. Experimente tocar a vida com mais parcimônia, pensar de maneira mais frugal, não ter mais objetos do que realmente precisa. Se você recebe, geralmente, cinco pessoas na sua casa, não há sentido em ter três aparelhos de jantar, certo? Doe um deles. Não acumule, exerça sua criatividade e reutilize. Não há nada mais atual, refinado e elegante do que ser simples e comedido.
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Quero parabenizar pela edição de maio da Casa & Decoração, que foi muito bem elaborada e tem matérias bastante úteis. Continuem neste caminho, melhorando e buscando atingir o máximo de leitores possíveis

Alessandra Silva, Salvador - Bahia, via e-mail
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